domingo, 17 de abril de 2011

A dificuldade de ter quase 30 no meio da molecada

Às vezes eu queria mesmo que minha mãe me ligasse e dissesse: Chris, eu quero te contar a verdade, você não nasceu em 1983, vc é de 1990, tudo que vc viveu antes foi só uma miragem.

Ontem fui numa festa chamada F.i.l.e.t., das engenharias. Tenho 27 anos mas sou solteira e sem filhos, gosto de me divertir e a intenção do churrasco era somente essa. Admito sem nenhuma modéstia que passo facilmente por alguém de 1991 e não uso nenhum creme anti-idade, nada, só muito filtro solar (CHUPEM SECADOOOOOOORAS =p), por outro lado o que devia ser uma vantagem, acaba se tornando uma desvantagem quando vejo a molecada bêbada, sem nenhum limite. Não é fácil admitir que meu tempo nisso já passou... eu adoro essas festas, mas por outro lado me sinto uma idosa quando participo dessas coisas, mesmo que a aparência externa se confunda com a do resto das pessoas.

Por outro lado, quando eu fazia Design nunca participei de nada disso, no Design esse tipo de festa nem existia. E, mesmo que existisse eu mal podia sair de casa, meu pai não deixava.  Quando a Bruna Surfistinha respondeu numa entrevista o que havia lhe faltado para que ela resolvesse sair de casa e virar prostituta, lembro que às vezes eu queria responder essa pergunta pros meus pais. O que foi que me faltou para que eu decidisse mudar de carreira assim do nada, dando mais despesas à eles do que eles imaginaram.

Na verdade, não faltou nada. Sobrou. Sobrou proteção em excesso, sobrou me passar a mão na cabeça quando eu não mereci, aos 27 ainda tenho o mesmo tratamento dos 15, com a diferença é que hoje meu pai não pode mais me proibir de pôr o nariz aonde eu bem entender.  Não é que eu não goste,  mas também não sei explicar.

Estou muito confusa com minha própria identidade, parece que, quanto mais eu tento me encontrar, mais eu fico confusa...

Alguém mais já se sentiu assim?

twitter: denovodezoito


5 comentários:

Sacha Santos disse...

Hey Jules,

Faz tempo que não comento aqui :x
Então, talvez não faça muito sentido vindo de uma pessoa com 21 anos (as vezes me confundo se tenho 20 ou 23 {?}), mas eu olho pra essas festas e acho que não estou na idade disso. Ou eu acho que a idade disso é dos 16 aos 19 ou eu realmente não sou pra isso.
Mas o que talvez te faça mais sentido é que li em algum blog que não lembro que é comprovado por pesquisas que a mulher sempre passa por essa crise antes dos 30. E algo que eu tenho mais certeza: a maioria dos blogs que eu leio são escritos por mulheres nessa idade e a maioria (se não todas) escrevem textos com esse tema. O que me faz pensar que essa confusão toda realmente é normal, mesmo que seja um tanto angustiante pra quem passa por ela.
Vou te sugerir uma leitura que eu tenho feito esses últimos dias. Talvez ela te ajude na sua nova meta (que tu citou uns posts atrás ) de uma possível viagem. Vale a pena dar uma fuçada por posts antigos, pode te ajudar. E mesmo eu não tendo muita idade para o nome do blog, me ajuda tbm. O blog é o depoisdos25masantesdos40.com , espero que você goste.
Um beijo!

Marcella disse...

Sim, alguém já se sentiu assim. Mas some mais um detalhe : quando vc não se sente em condições nem de cuidar do seu próprio nariz, mas já tem 32 e as pessoas começam a cobrar que vc tenha um bebê. Você se pega pensando: " um bebê? eeeu? como assim? mas jáááá??". ai ai...

sheila* disse...

Claro que sei como é sentir assim, eu com 22 anos estou namorando com um cara de 17 e a gente se dá super bem,mas quando o assunto é sair com a turma dele eu desconverso, me sinto quase na menopausa perto daquele tanto de gente nova, mesmo tendo uma eterna adolescente rebelde dentro de mim.
Ás vezes tenho essas crises de identidade também, isso é mais comum do que parece, eu também pareço ter menos do que tenho (e isso devo ter herdado do meu pai, que tem 54 mas tem charme de 35!) e sinto que me tratam como criança, mais até que o meu namorado.
#notfair

.Intense. disse...

Eu, ao contrário, me joguei na vida na primeira faculdade. Muitos amigos, festas, farras, porres, experiências...perdi a conta de quantas vezes enfiei o nariz onde eu bem entendia - e me queimei. Daí ano passado, qdo comecei a segunda, eu comecei a me sentir velha nas coisas.

Apesar da cara de bebê - até hoje apresento identidade pra entrar nas festas - comecei a sentir cansaço das festas, das molecadas das festas, dos surtos, piadas, brincadeiras e porres dessas mesmas pessoas. Semana passada estive numa festa de música eletrônica e fiquei observando isso. Eu não ando me jogando na noite mais, desde que comecei a namorar, mas se tivesse ia estar me sentindo um peixe fora d'água.

-.-


Só não sei como resolver isso. Talvez achar a turma que complete a gente - que se diverte, mas que não é mais, necessariamente, o sinônimo de pirralhada. Maybe,...

G. disse...

Olha, acho que mais pessoas do que você imagina se sentem assim. Meu caso é muito parecido com o seu. Tenho 23 anos, estou me formando em direito na Ufrgs, odeio o curso, sempre odiei. Meus pais me criaram numa redoma de vidro, num aquário, me proibindo de tudo e ao mesmo tempo tomando todas as decisões da minha vida por mim. Agora, formanda, estou finalmente tomando coragem de assumir que quero fazer outra faculdade, provavelmente uma que traga consigo muito menos prestígio social do que o direito (provavelmente Letras). Nunca me senti tão perdida. Sinto como se eu tivesse sofrido um acidente, batido a cabeça e perdido minha memória, minhas referências, meus valores, e tudo que eu vejo quando eu olho pra dentro de mim é uma espécie de "infinito branco". Eu tenho puxar de algum lugar algo que eu possa chamar de 'minha identidade', e simplesmente não vem nada. Daí tento me focar em que tipo de pessoa eu gostaria de ser, e fico mais confusa ainda. Me sinto tendo crises existenciais juvenis e não hesito em culpar o excesso de proteção dos meus pais. Quando penso que vou começar uma nova faculdade aos 24 anos, com colegas de 16, 17 anos, me sinto completamente sem energia. E a perspectiva de me ver sendo sustentada pelos meus pais por no mínimo mais 4 anos me aflige por demais. Enfim, admiro sua trajetória e continuarei seguindo seu blog como uma fonte de 'inspiração' para que eu não desista dos meus planos,que por si só já são meio confusos. Um beijo!

 

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